Dados empresariais: onde armazená-los, onde processá-los e onde protegê-los?

Dados empresariais: onde armazená-los, onde processá-los e onde protegê-los?

Se do que falamos é de dados empresariais, a pergunta é clara: como tirar proveito dos novos modelos informáticos enquanto se garante a segurança dos dados?

No que diz respeito aos dados, se pensarmos no conceito de “mobilidade”, podemos pensar em muitas coisas, mas sobretudo em duas: nos dados gerados em dispositivos móveis e na forma e o lugar onde serão processados. Cada vez se debate mais um conceito a que se começou a chamar “data gravity”, ou seja, a noção de que os dados são difíceis de mover, mas os recursos de computação não apresentam essa dificuldade. Agora a questão é: “onde os seus dados estiverem, é onde estará o seu sistema de processamento”. Significa isto que são os dados quem levará a que a computação mereça a pena, não o contrário.

Se do que falamos é de dados empresariais, a pergunta é clara: como tirar proveito dos novos modelos informáticos enquanto se garante a segurança dos dados? E, se adicionarmos as novas regulações de privacidade, o problema piora ainda mais. Um exemplo: todos sabemos que uma das razões pelas quais a Amazon, Google ou Microsoft são eficientes em gerar um elevado rendimento nos dados é o facto de estarem bem posicionados nos grandes centros de Internet disponíveis. Sabemos que os dados "gravitarão" e, como resultado, impulsarão tudo o resto, incluindo a computação. Podemos dizer, por exemplo: "Vou pegar nos dados dos clientes que guardamos nas instalações, torná-los anónimos - porque o RGPD complica a movimentação dos dados -, enviá-los para cloud, analisá-los nessa mesma cloud e enviá-los depois de volta às minhas instalações, onde os misturarei com os nossos dados no local". Este é um exemplo perfeito de um desenho de dados moderno.

Mas há um sério handicap ao trabalhar com dados na cloud: a falta de profissionais com aptidões para o fazer. Se me perguntarem “Quantos técnicos conhece que pudessem proteger um data center? A minha resposta seria “não sei… talvez 10% da população de profissionais de TI?”. Mas se me perguntarem “Quantos técnicos conhece que capazes de proteger um ambiente de cloud como Amazon, Azure ou Google?”, a resposta honesta teria que ser “menos do 1%”. E, se não tenho a certeza de que os meus dados possam estar verdadeiramente seguros na cloud, porque motivo haveria de pensar em pô-los lá?

Portanto, os clientes ainda pensam que é mais seguro ter os dados on premise, não pela tecnologia, mas pela falta de skills. E isso vai continuar a ser assim durante os próximos dois ou três anos, ou mais ainda em alguns países…

Pelo que a questão, mais uma vez, é como utilizar a cloud sem incrementar os riscos. Anonimizar os dados na cloud é um exemplo perfeito. Tenho os meus dados, torno-os anónimos, faço a analítica na cloud, e mantenho os dados de clientes nas instalações. Mesmo se os meus dados acabarem por ir parar à cloud (todos ou parte de eles), o preço do armazenamento será elevado.

Então, como podemos garantir a segurança destes “dados que gravitam” na hora de os gerir? Muitos fornecedores oferecem serviços de armazenamento na cloud, dentro da rede de algum dos grandes fornecedores. Alguns, por exemplo, oferecem-no através de máquinas virtuais dentro do ecossistema. Estas são boas opções, mas talvez não sejam as melhores. Outros fabricantes oferecem uma pool de sistemas dentro do data center do fornecedor de cloud, de forma que este alugue uma parte da infraestrutura, e o fabricante outra.

Isto permite um armazenamento mais rápido, a um custo menor. Mas o principal benefício é, por exemplo, poder passar da Amazon para a Google, eliminando o vendor-locking. Porque não colocar uma cópia dos dados na cloud da Microsoft, e manter outra cópia passiva na cloud da Google? Deste modo, se a cloud da Microsoft cair, podemos contar com o failover de trabalhar também com a Google. Podemos, assim, construir uma solução mais resiliente, sem necessidade de gerir várias cópias da informação, ou escolher o fornecedor que mais nos interessa (quiçá um terá um melhor sistema, mas o outro é mais barato e serve perfeitamente as minhas necessidades) sem estar cativo de nenhum em particular.

Todos estos novos modelos vieram para ficar, já que é necessário gerir todas as possíveis circunstâncias para poder adaptar melhor o nosso negócio a elas. A cloud é - e será - essencial para desenhar e planificar processos de gestão inteligente de dados. E, como sempre, aparecerão novas e diferentes formas de o fazer. Nem todas serão apropriadas, pelo que escolher a solução certa será a chave do sucesso.

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