Data Governance: o real valor da Informação

Aliado ao conceito de Big Data, nos dias de hoje, o volume de Informação no seio das organizações aumenta diariamente de forma exponencial, na tentativa de aproximar os processos de negócio ao cliente. O que fazer então ao enorme volume de informação que é gerado e recolhido?

Data Governance: o real valor da Informação

Começa a ser esta a questão do momento e que leva a Gestão de Topo das Organizações a ansiarem por uma resposta assertiva. A informação no seu todo, os dados que resultam da aplicação de um determinado processo de negócio, representa atualmente o maior ativo de uma empresa. No entanto, e nesta fase ainda prematura de análise a uma nova realidade, estima-se que apenas 20% do volume total dessa informação se encontre estruturada e consolidada para que possa servir de input ao core business da organização.

Aos dias de hoje, por todos os mercados, podemos assistir a uma cada vez maior e precisa regulamentação em todos os setores de atividade, obrigando assim a que o ciclo de vida da informação seja mais longo, levando algumas temáticas a ganharem preponderância. É premente nesta fase distinguir as fronteiras entre Data Governance, Data Management e Data Security.
Enquanto assistimos a este aumento do volume de informação dentro da organização, rapidamente poderemos projetar que será necessário catalogá-la: qual dessa informação acrescentará valor ao processo de negócio no seu todo; e qual dessa informação apenas se trata de "ruído" à volta desse mesmo processo de negócio, de uma qualquer empresa.

Assim, e num mercado cada vez mais competitivo, mais do que pessoas altamente competentes e especializadas num determinado setor de negócio, mais do que departamentos de IT apetrechados do "último grito" no que diz respeito a ferramentas tecnológicas, a informação e a forma como a mesma se encontra estruturada e alinhada com o core da organização, começam a ser protagonistas num enredo cujos atos se vão escrevendo à medida que os processos de Gestão da Informação se vão consolidando.

Foram feitos grandes investimentos em Segurança da Informação, onde as empresas se preocuparam em dotar os seus departamentos ou direções de negócio de processos e ferramentas que lhes permitissem individualmente ter a sua informação o mais segura possível. No entanto, nunca foi possível estimar o retorno desse investimento, bem como o real valor da informação existente. Informação essa, muitas vezes duplicada e propagada por vários pontos da organização, deixando até mesmo em algumas situações de ser parte importante no desenvolvimento do modelo de negócio das empresas.

Tornou-se uma necessidade efetiva da Gestão de Topo das Organizações extrair o real valor desta informação - um "diamante muitas vezes por lapidar", e garantir assim que todos os processos de negócio existentes iriam assentar sobre a mesma estrutura de informação. Nesta base, têm surgido algumas alterações aos organogramas nas empresas, com a emersão de novas figuras e responsabilidades, como é o caso de CDO (Chief Data Officer), que visam a gestão e o controlo sobre os processos e os métodos que devem garantir a uniformização e transversalidade da informação a toda a organização. A criação desta nova figura obriga a redefinir aquilo que até aqui se entendia ser um CIO (Chief Information Officer), que era, até aos dias de hoje, aquele que garantia a captação de toda a informação necessária ao desenvolvimento e crescimento do core da organização.

Quase sempre focado na tecnologia, o CIO preocupava-se em captar através das ferramentas existentes todos os dados necessários ao modelo de negócio da empresa, sendo esta informação captada quase sempre de forma transacional não havendo qualquer tipo de estrutura ou diretriz no tratamento da mesma.

Podemos e devemos encarar esta posição de CIO, à data de hoje, como sendo única e exclusivamente responsável pela gestão do "mundo tecnológico" dentro da Organização (Chief Information Technology Operations Officer). Levanta-se então a dúvida: que figura deve assumir a responsabilidade sobre a Data Quality de toda a informação? Quem tem a responsabilidade de estruturar todo o fluxo de informação, ou quem tem a responsabilidade de garantir que possui as ferramentas tecnológicas adequadas para captar a informação mais valiosa, para o desenvolvimento do processo de negócio?

O que se tem assistido neste capítulo é que têm sido criadas equipas de Data Quality, que garantem a ponte entre a tecnologia (CIO) e o negócio (CDO), responsáveis por analisar esta informação cada vez mais volátil, de fontes nem sempre fidedignas e que se acumula a uma grande velocidade, com o objetivo de adequá-la então aos parâmetros estruturais definidos, conseguindo assim torná-la valiosa para a organização. É necessário que alguém possa analisar, limpar e posteriormente adequar todos os dados que entram direta ou indiretamente na organização e só assim mudar o mind set e a cultura existente nas empresas, para que se olhe para a Informação como algo vital ao desenvolvimento do negócio.

Numa era em que a transformação digital está cada vez mais ativa e em que o relacionamento com os clientes é cada vez mais personalizado e baseado na sua experiência e pegada digital, existe a necessidade de combinar várias fontes de informação passando a privacidade dos dados a ser um tema em enfoque daqui para a frente. Devemos estar cientes de que é necessário adequar as empresas a esta nova realidade, dotá-las culturalmente de mecanismos que suportem a teoria, oferecendo processos ágeis e intuitivos a quem os aplica, mas, sobretudo, incluir na visão estratégica e de futuro um programa efetivo e eficiente de Data Governance, a nível organizacional. É este o estreito caminho que marcará a diferença e irá conduzir as empresas ao sucesso.

 

João Martins, Senior Consultant da área de Customer Engagement da Mind Source

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