Realidade Aumentada: Para lá da caça aos Pokémons

O fenómeno Pokémon Go pode significar, finalmente, o levantar voo da realidade aumentada, tecnologia que promete revolucionar o modo como interagimos com o mundo e que transformará profundamente os negócios

Realidade Aumentada: Para lá da caça aos Pokémons

O Pokémon Go, jogo desenvolvido pela Niantic, tornou-se no maior embaixador da AR (acrónimo de augmented reality, em inglês). Em menos duma semana, tornou-se na maior febre de sempre dos mobile games, atraindo 21 milhões de novos utilizadores por dia, só nos EUA. Para as empresas, o que significa? Antes do jogo, só 38% (nos EUA, o mercado que é sempre o barómetro) estavam familiarizadas com a tecnologia de realidade aumentada. Agora, com a esmagadora maioria das pessoas a terem, pelo menos, experimentado o Pokémon Go, será mais difícil encontrar dentro das empresas quem não entenda o conceito (ou quem lhe resista). Por outro lado, a euforia em torno do jogo pode levar a um maior investimento em realidade aumentada, tanto em hardware como em software.

 

Transversal a todos os negócios

Com a AR a tornar-se sinónimo de entusiasmo coletivo, faz sentido considerar as suas aplicações aos negócios. “Serão muito poucos os que prescindirão da tecnologia de realidade aumentada”, avisa Tom Mainelli, VP da área de dispositivos e displays da IDC. Ao contrário da realidade virtual, que é cem por cento imersiva e fechada, tirando - nos do nosso mundo e transportando- nos para outro (que pode ser a recriação de um cenário real ou um novo planeta), a realidade aumentada enriquece o nosso ambiente, adicionando-lhe elementos digitais (gráficos, informações, ilustrações) e transformando assim o modo como interagimos com o que está à nossa volta.

Com a AR, mundo digital e físico sobrepõem-se, o que possibilita inúmeras aplicações e experiências altamente personalizadas. Todas as empresas de análise de mercado, da Gartner à IDC, preveem que a AR fature, dentro de três anos, três vezes mais do que a VR (virtual reality).

 

 

Não é uma novidade

Uma das maiores vantagens da AR é poder recorrer aos smartphones e tablets para aplicações mais simples, já que estes dispositivos reúnem cada vez mais as condições necessárias: câmaras de elevada resolução, GPS, sensores e capacidade de processamento. A L’Oréal, por exemplo, lançou em 2014 uma aplicação, a Makeup Genius, que converte a câmara frontal do smartphone num espelho, permitindo que se experimentem digitalmente diversos produtos de maquilhagem, imediatamente sobrepostos ao nosso rosto. Mas há outros exemplos. No mesmo ano, o gigante sueco Ikea lançou uma aplicação que permite decorar virtualmente qualquer espaço com os seus móveis. A AR está longe de ser uma novidade. O que difere agora é todo o hype da experiência criada pelo Pokémon Go e que pode beneficiar os negócios que apostem nesta tecnologia para se diferenciarem digitalmente.

 

Smart Glasses

Se para transformar a experiência do consumidor os dispositivos móveis são uma boa plataforma, não é bem assim quando o tema é a eficiência e os processos internos das empresas. A PwC realça, a este propósito, que os smart glasses, por serem hands-free, impulsionarão a próxima onda de AR. É certo que os Google Glass não foram propriamente um sucesso, mas talvez haja agora maior recetividade. Tom Mainelli diz mesmo que o hardware de realidade aumentada será uma ferramenta tão comum quanto os computadores. “Tal como a máquina de escrever deu lugar ao computador, para alguns trabalhadores um dispositivo de AR substituirá a utilização por vezes estranha de um notebook, tablet ou smartphone. Para outros será um complemento, destinado a novos processos ou para novas formas de interagir com os clientes”.

No campo dos smart glasses, destacam- se as apostas da Epson e da Sony. Os BT-300, da Epson, têm ecrã OLED 720pHD e uma câmara frontal de 5 megapixels, com processador Intel Atom quad core e Android Lollipop. Já os SmarEye- Glass, da Sony, open source e semelhantes aos Google Glass. Distinguem- se por incluir um girosópio, um acelerómetro e um sensor de luz incorporado na câmara.

 

AR aplicada aos negócios

Orientação remota

Segundo a Gartner, permite que trabalhadores de campo sejam orientados remotamente por um especialista que avalia a situação/problema em tempo real através das imagens capturadas pela câmara do hardware de AR. Isto aumenta exponencialmente as tarefas que podem ser executadas e significa que as pessoas mais inexperientes podem reparar as máquinas mais complexas e executar as tarefas mais difíceis. Por outro lado, as próprias instruções de reparação podem ser exibidas no capacete ou óculos de AR.

Mapas e percursos

Passeios turísticos mais informativos e interativos, com exibições de factos históricos que se imiscuem no que temos à nossa frente. Numa transportadora, pode significar o acesso a mapas sem que seja necessário desviar o olhar da estrada, possibilitando entregas mais rápidas. No contexto de um armazém, os óculos de AR poderão encaminhar cada funcionário até ao produto a recolher.

Experiência de compra melhorada

Quem está a ponderar adquirir um produto online pode visualizá-lo a três dimensões, diante de si, antes do check out (um relógio, um par de sapatos), o que aumentará a percentagem de transações concluídas e diminuirá as encomendas devolvidas. O mesmo é válido para uma loja, já que os consumidores poderão interagir com os artigos de uma forma totalmente diferente, acedendo a cupões de desconto in loco e visualizando reviews de outros clientes sobre o artigo que têm à frente, por exemplo.

 

O que já está no mercado

Projeto Tango

Projeto da Google que pretende revolucionar a AR ao nível dos smartphones e que permite reconhecimento espacial em tempo real. Na prática, o Tango permite que o dispositivo móvel mapeie espaços interiores (para perceber onde está o chão, as paredes, o teto e os objetos) e identifique a sua localização exata dentro desse espaço, bem como a sua orientação constante no espaço envolvente. A Lenovo foi a primeira marca a criar um smartphone Tango, o Phab2.

 

 

HoloLens

A Microsoft tem o HoloLens, uma forma de AR que denomina de mixed reality, já que permite manipular os objetos (hologramas) que surgem diante dos nossos olhos. A empresa está a desenvolver uma versão do Skype que permite que os colaboradores trabalhem à distância em designs de produto através da partilha de hologramas. Para a tecnológica, no futuro os serviços de reparações domésticas serão feitos através do Holo-Lens, com cada um de nós a ser guiado passo a passo, e à distância, por um profissional.

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