Modelos de aquisição e propriedade dos automóveis vão mudar, revela estudo da Capgemini

De acordo com o estudo da Capgemini, “Cars Online”, cerca de 34% dos consumidores considera que os serviços de mobilidade colaborativa (tais como o car hailing e o car sharing) constituem uma alternativa à compra e propriedade de um automóvel. Por seu turno, 56% encara-os como um complemento à compra

Modelos de aquisição e propriedade dos automóveis vão mudar, revela estudo da Capgemini

O estudo da Capgemini, que inquiriu mais de 8 mil consumidores em oito mercados, concluiu que embora as vendas de automóveis continuem a crescer significativamente, os principais fabricantes de automóveis estão a mudar as suas estratégias e a começaram a adaptar-se à evolução dos comportamentos dos consumidores, nomeadamente fazendo novos investimentos em serviços de carpool através de novas ofertas, de aquisições e parcerias, de modo a adaptarem-se à evolução dos comportamentos dos consumidores.

A 17ª edição do estudo "Cars Online" da Capgemini, intitulada ‘Beyond the car’, também apresenta conclusões muito animadoras para as vendas tradicionais de automóveis graças ao crescimento exponencial da mobilidade colaborativa: mais de metade dos inquiridos (56%) consideram que os serviços de mobilidade colaborativa - tais como, e entre outros, a Uber, a Didi e a BlaBlaCar, são complementares à aquisição de um novo veículo, ou constituem mesmo uma alternativa à propriedade de um automóvel.

Esta perceção é mais acentuada entre os consumidores mais jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos (64%), e os mercados emergentes como a China (77%) ou/e a Índia (63%). A relevância do investimento dos grandes fabricantes nas iniciativas de car sharing é corroborada por dois terços dos consumidores (66%), que considera que as marcas dos veículos são um fator importante na sua escolha de programas de car sharing. Estes resultados sublinham o quanto estas iniciativas se podem vir a a ter um papel relevante no novo ciclo de vendas do setor automóvel.

“Estamos a viver uma ‘idade de ouro’ nas vendas de automóveis. No entanto, é claro que esta fase não vai durar para sempre. Os fabricantes automóveis estão cientes de que precisam de reagir às constantes mudanças nos hábitos dos consumidores para conseguirem tornar o crescimento sustentável. Ao terem a ambição de se tornarem líderes no car-sharing e de ampliarem o espaço da mobilidade automóvel, os fabricantes irão não só aumentar o reconhecimento das suas marcas, como, ao mesmo tempo, irão estabelecer um novo tipo de relacionamento com os consumidores, no que concerne à sua decisão sobre a marca do próximo automóvel que irão comprar”, afirma Kai Grambow, global head of automotive da Capgemini.

As conclusões do estudo evidenciam também, o profundo impacto que a rápida ascensão das novas funcionalidades tecnológicas e da crescente capacitação digital dos consumidores estão a ter nos hábitos de consumo:

As funcionalidades de condução autónoma e assistida continuam a ser um fator muito relevante na decisão de compra. No que diz respeito à crescente incorporação das funcionalidades avançadas de condução assistida nos modelos standard dos automóveis e à diversidade de provas com veículos autónomos,  81% dos consumidores inquiridos revelou-se disposto a pagar um custo adicional para poder dispor destas funções no seu automóvel.

A cibersegurança passou a ser um novo fator emergente no que diz respeito à aquisição de automóveis. Em 2015, um terço dos inquiridos estava preocupado com a ciber segurança. Os recentes ciberataques sofridos pelos principais fabricantes automóveis, revelaram que a segurança já não é apenas uma teoria e que a maioria dos consumidores quer agora ter a garantia de que o automóvel que vai comprar é digitalmente seguro. Assim, 68% dos consumidores automóveis afirmaram que a sua decisão de compra terá em conta os níveis de proteção a ciberataques.

Há cada vez mais consumidores interessados em comprarem automóveis aos fabricantes tecnológicos apesar destes não terem quaisquer referências no setor. Os rumores que existem no mercado, há quase dois anos, sobre a possibilidade de empresas como a Google ou a Apple virem a produzir veículos automóveis, contribuíram para provocar um aumento do interesse dos consumidores em virem a comprar automóveis destes fabricantes (57% dos inquiridos). Na edição do Cars Online 2015, publicada há 18 meses atrás, apenas 49% dos inquiridos se tinha revelado disponível para adquirir um automóvel a estas marcas tecnológicas.

A confiança dos consumidores nos automóveis autónomos divide-se entre os fabricantes tradicionais e os novos fabricantes. Ainda que os testes públicos com veículos autónomos tenham sido maioritariamente protagonizadas por fabricantes tecnológicos, o estudo revela que mais de metade dos consumidores (51%) afirma confiar mais nos veículos autónomos produzidos pelos fabricantes automóveis tradicionais, do que nas empresas de tecnologia.

A preocupação com a privacidade dos dados está a diminuir à medida que os consumidores adotam os dispositivos conectados. A generalização dos dispositivos conectados e a perceção de que o risco é compensado pelas vantagens de intercâmbio dos dados, de uma maior personalização e melhoria dos serviços, está a transformar a atitude dos consumidores em relação aos veículos conectados. A maioria dos inquiridos revelou-se disponível para partilhar os dados do seu automóvel (89%) e os dados do condutor (76%) enquanto o veículo estiver conectado. Na edição anterior do estudo apenas 80% dos inquiridos se manifestou disponível para partilhar livremente os seus dados e os do seu automóvel.

O modelo de venda tradicional está a ser desafiado pela procura crescente de showrooms digitais. Influenciados pelo interesse contínuo nos últimos avanços tecnológicos e lançados que estão os primeiros  showrooms digitais por alguns dos grandes fabricantes, os consumidores procuram cada vez mais métodos alternativos de acesso e consulta de informação sobre as marcas e os concessionários, como por exemplo apresentações dos automóveis em realidade virtual (62%), live chats (43%) e vídeo blogs de outros clientes(36%).

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