"Portugal é um mercado muito importante para a Amazon Web Services"

A Amazon Web Services (AWS) tem mais de um milhão de clientes em todo o mundo, onde se incluem organizações de todas as dimensões – de gigantes como a General Electric e a Netflix a startups, passando pelo próprio governo federal norte-americano. Miguel Alava, AWS Director, conversou com a IT Insight

"Portugal é um mercado muito importante para a Amazon Web Services"

IT Insight - Qual é hoje a importância da AWS no negócio global da Amazon?

Miguel Alava - A Amazon Web Services nasceu em 2006. Dez anos depois, é uma afiliada do grupo Amazon, faturando anualmente cerca de 10 mil milhões de dólares, com um crescimento de cerca de 60% ano após ano. As receitas da AWS representam cerca de 10% das receitas da Amazon.

Qual a estratégia para o mercado português?

Portugal é um mercado muito importante para a AWS. O nosso modelo é self-service, o que significa que qualquer pessoa pode dirigir-se à nossa plataforma e beneficiar dos nossos serviços, que evoluem ao longo do tempo. Em 2015 lançámos 722 novos serviços e features, o que dá uma ideia do quão importante é a inovação para nós. E estamos a transmiti- la aos nossos clientes, porque a AWS está a mudar o modo como estes produzem e concetualizam novos serviços para os seus próprios clientes. Em Portugal estamos a trabalhar como muitas empresas, de diversos tamanhos e indústrias. Estamos a trabalhar, por exemplo, com uma startup portuguesa, a Unbabel, que está fazer algo muito interessante: uma combinação entre inteligência artificial e tradução humana. Deste modo conseguem entregar um serviço de tradução rápida, eficaz e cost efffective. Não o fazem apenas para o mercado português, mas para todo o mundo. É um dos benefícios da nossa plataforma, dado que o mercado local acaba por tornar-se limitado.

As startups são mais propensas a utilizar o modelo de negócio da AWS?

Temos dez anos de experiência, o que é bastante tempo quando se trata de cloud. No início, achou-se que as startups utilizariam este modelo de negócio porque era mais fácil e que serviria para investigação e desenvolvimento (I&D). Depois, à medida que algumas startups começaram a crescer, achou-se que a AWS não seria utilizada para ambientes de produção - acabámos por chegar à conclusão que não é verdade. Depois achou-se que as empresas nunca utilizariam AWS, mas começaram a utilizar alguns workloads em termos de I&D. Novamente, evoluímos para um outro estado e verificámos que as empresas estavam a utilizar AWS também em ambiente de produção e para cargas de trabalho críticas. O ano passado, no Reinvent, o maior evento da AWS, tivemos o CIO da General Electric a anunciar que a organização iria mover três mil aplicações para AWS. Também temos o que denominados de “all-in”, ou seja, clientes que correm todas as suas aplicações em AWS, onde também se incluem empresas. O valor das nossas propostas e da cloud é aplicável a todos os clientes, de todos os tamanhos e de todas as indústrias.

As empresas tradicionais de consultoria são hoje um parceiro AWS?

Temos dezenas de milhares de parceiros, de diferentes tipos. Temos integradores de sistemas, como a Capgemini e a Accenture, por exemplo. Também temos ISVs que desenvolvem os seus próprios produtos e serviços sobre AWS.

Existem diferenças entre o mercado português e o espanhol em termos de adoção de cloud computing e do tipo de aplicações?

Não existem diferenças. A adoção da cloud está a acelerar rapidamente por toda a Europa. Observamos isso em todos os países e em todos os segmentos, desde empresas cotadas em bolsa a startups, e também nas PME. O valor proposicional da cloud é demasiado elevado para ser ignorado.

Miguel Alava, Amazon Web Services Director

Existem cenários que sejam mais comuns na transição para a cloud?

A forma como as empresas adotam a cloud varia. Algumas empresas nascem na cloud, como é o caso das startups. Nestas a cloud é parte do seu modelo de negócio, identificam-na como uma forma de inovar e desenvolver serviços. As grandes empresas têm formas diferentes de adotar a cloud. Algumas começam pelo I&D, por casos específicos, porque é mais fácil ter menos legacy nessa área. Temos outro tipo de empresas que procuram, e utilizam, a cloud da AWS para o negócio digital. Ou seja, diferenciam o seu negócio tradicional (IT e infraestrutura) de uma nova abordagem, a abordagem digital. Empresas com abordagem digital estão a mover analytics e aplicações móveis para a cloud. Outras empresas estão a mover aplicações críticas de negócio para a cloud. O banco nacional alemão, por exemplo, identificou a AWS como segura. Um banco na Holanda está a recorrer à AWS para construir uma plataforma de retalho digital.

Quem decide a mudança para a cloud?

Também varia. Em alguns casos, são os developers que apontam a cloud enquanto ambiente de desenvolvimento das suas aplicações. Noutros é o IT, que precisa de uma dada quantidade de infraestrutura e não tem tempo para esperar. Em muitos casos são os responsáveis de negócio, que pretendem que este ande mais depressa para poderem ultrapassar a concorrência e, por isso, optam por fazer as coisas de forma diferente. Quando se chega a esse estádio, observamos que por norma adotam uma estratégia cloud first. Estas empresas têm algum legacy e percebem que este continuará a existir, mas pretendem que as novas aplicações sejam desenvolvidas sobre a cloud. E algumas destas empresas têm objetivos estabelecidos no que diz respeito a reduzir o número de aplicações que correm na infraestrutura tradicional e a mover uma percentagem destas para a cloud. A responsabilidade da decisão varia consoante a taxonomia da empresa e as suas necessidades.

"Empresas com abordagem digital estão a mover analytics e aplicações móveis para a cloud"

A AWS é tradicionalmente forte no mercado de Infrastructure-as-a-Service (IaaS). Como estão a endereçar outros modelos, nomeadamente Plataform- -as-a-Service (PaaS) e Software- -as-a-Service (SaaS)?

No nosso portfólio de 70 serviços, nem todos são de IaaS. É possível encontrar serviços de workspace, outros que servem a camada aplicacional. Por outro lado, PaaS significa algo diferente para pessoas diferentes. Dentro do nosso portfólio temos managed services, em que a AWS gere a maior parte das camadas aplicacionais. Temos, por exemplo, managed database services que podem ser utilizados pelos clientes. É uma das formas pelas quais estamos a endereçar o PaaS. Em SaaS, temos ISVs muito ativos a desenvolver este tipo de serviços sobre a nossa plataforma. Quando as empresas decidem mover-se de uma licença para o modelo SaaS, observamos que em muitos casos utilizam AWS para desenvolver esses produtos. O valor acrescentado para estes ISVs está no Amazon Web Services Marketplace, onde podem disponibilizar os seus produtos aos nossos clientes em todo o mundo.

Que impacto terá a Internet of Things (IoT) sobre a cloud?

É a cloud que está a possibilitar a IoT. Estamos a falar de milhares de milhões de dados recolhidos e que necessitam de uma infraestrutura virtualmente infinita. E é isso que a cloud, na realidade, entrega. Com a IoT, temos de ter a capacidade de lidar com uma elevada quantidade de dados e de conseguir analisá-los em tempo real. Não há outra infraestrutura que o possa fazer sem ser a cloud.

A AWS tem, nos EUA, o Governo Federal como um dos seus clientes, por via da AWS GovCloud. Na Europa, especificamente na Península Ibérica, têm notado interesse por parte das entidades governamentais?

Independentemente da indústria e do vertical, todos estão interessados na inovação que a cloud aporta. Todos estão interessados em perceber o quão a cloud os pode libertar para que se concentrem em novos negócios. No caso do setor público, para entregar melhores serviços aos cidadãos. E ninguém pode negar ou ignorar o valor da cloud. Há interesse por parte dos governos espanhol e português, sim. Tal como existe por parte de muitas empresas, em diferentes segmentos.

O que gostaria de dizer às empresas portuguesas?

Há conceitos que são intrínsecos à Amazon Web Services. Um deles é a inovação. Não se trata apenas de adotar IT, trata-se de mudar o modo como trabalhamos, de transmitir toda essa inovação de que dispomos aos nossos parceiros e clientes. Para a Amazon o importante é a democratização do IT. Pretendemos entregar serviços poderosos a todas as pessoas. No mercado português, como nos outros, importa apenas o quão boa é uma ideia. Porque a AWS tem a infraestrutura técnica que permitirá a qualquer pessoa colocá-la em prática.

 

 

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