Lisbon BI Forum: tempo de desbloquear o valor dos dados

A Noesis juntou-se à IDC, à Qlik e à Cloudera para erguer a primeira edição do Lisbon BI Forum, evento que chamou a atenção para a temática do business intelligence, e onde foi apontado o caminho: analítica preditiva.

Lisbon BI Forum: tempo de desbloquear o valor dos dados

O Lisbon BI Forum, organizado pela Noesis, em parceria com a IDC, a Qlik e a Cloudera, sublinhou a importância de as empresas se apoiarem numa adequada gestão dos dados para melhorar o seu desempenho e operar a transformação digital. No evento, onde marcaram presença mais de 250 pessoas, ficou evidente que olhar para o passado não chega. Apesar do business intelligence (BI) continuar a ser fulcral para a otimização do negócio, está a impor-se uma necessidade iminente: antecipar tendências e reinventar ofertas com recurso à analítica preditiva.

Gabriel Coimbra, country manager da IDC.

Gabriel Coimbra, country manager da IDC, sublinhou que os dados não estruturados “devem ser analisados em tempo real”, em nome de decisões que beneficiem verdadeiramente o negócio no atual contexto da economia digital, fortemente alicerçada no valor dos dados. Apesar do mercado de big data e analytics ainda estar na sua infância, importa começar já a olhar para o potencial destas tecnologias. O representante da IDC partilhou as previsões da consultora para o mercado de global analytics e gestão da informação já a partir do próximo ano, evidenciando três tendências: incorporação de machine learning e inteligência artificial (IA) nestas soluções; novas interfaces de comunicação com o cliente, com a voz a afirmar-se; e massificação destas tecnologias através da cloud.

Já a partir de 2018 a IDC estima que metade das grandes empresas mundiais venham a gerar novas receitas a partir da comercialização de insights e métricas obtidos através da análise de dados. De 2019 em diante, os assistentes digitais automatizados vão melhorar em quatro vezes a produtividade das organizações, sendo esta uma das áreas em que a IDC antecipa maior investimento.

Filippo Lambiente, presales da Cloudera.

Cloud + código aberto + machine learning – revolução ao virar da esquina

Menos de 50% dos dados não estruturados são utilizados para tomar decisões e menos de 1% destes dados são analisados. Segundo Filippo Lambiente, da Cloudera, esta imaturidade explica-se pela existência de silos dentro das organizações, pelo crescente volume dos dados e proliferação de múltiplas fontes, mas também pelo custo outrora elevado do processamento e armazenamento. No entanto, tudo isto está a mudar. A cloud, o código aberto (open source) e o machine learning são os três grandes catalisadores desta viragem e os pilares das empresas data-driven — a diminuição dos custos proporcionada pela cloud é, aliás, o que tem permitido a ascensão do machine learning, referiu.

A Cloudera, formada em 2008 por ex-quadros do Facebook, Google e Yahoo, foi a primeira empresa a comercializar soluções de Apache Hadoop, sendo atualmente a principal plataforma de gestão e análise big data do mercado. A plataforma incorpora tecnologia de machine learning (reconhecimento de padrões, deteção de anomalias e previsões) e analytics (inteligência self-service e analítica em tempo real), otimizados para ambientes cloud ou on-premises. “Transformamos dados complexos em insights claros para o negócio”, sublinhou Lambiente.

Para tornar os dados inteligíveis e acessíveis aos utilizadores empresariais, e não apenas a data scientists, a Cloudera e a Qlik têm uma parceria global que esteve em evidência no Lisbon BI Forum – sobre a plataforma da Cloudera a Qlik adiciona ferramentas de navegação e visualização intuitiva que permitem “interpretar” o valor dos dados. “Estamos a trabalhar com a Cloudera para obter os melhores insights a partir de big data”, sublinhou Angélica Reyes, marketing director da Qlik no sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e França). A aliança entre ambas as empresas tem em vista um ROI mais rápido sobre os investimentos em big data.

 

Noesis a desenvolver projetos de machine learning e IA

Machine learning e inteligência artificial são sinónimo de futuro, mas, para a Noesis, são já o presente. “Temos iniciativas a decorrer, a nível internacional. Em Portugal, temos um conjunto de clientes que já estão a olhar seriamente para esta área e a investir. Estamos a trabalhar de forma muito próxima com o setor do retalho e das telecomunicações”, indicou Nuno Pacheco, director da área de BI, à IT Insight. Estas tecnologias, acrescentou, “vão levar a repensar os processos de negócio”, não apenas do ponto de vista da automatização, mas da transformação do próprio negócio.

Nuno Pacheco, director da área de BI da Noesis.

 

A Noesis é o maior parceiro tecnológico da Qlik em Portugal, tendo também uma parceria com a Cloudera. Luís Gonçalves, Senior manager da área de Business Intelligence, revelou à IT Insight que a empresa tem assistido, ao longo de 2017, a uma “mudança acelerada” no mercado, em direção a “soluções end-to-end de gestão e transformação da informação”.

 

O que dizem os clientes

Em Portugal, são vários os projetos desenvolvidos pela Noesis ao nível da visualização de dados. Três clientes partilharam no Lisbon BI Fórum as suas experiências com a utilização das ferramentas da Qlik, neste campo de business intelligence.

Da esquerda para a direita: Fernando Lourenço (Trivalor), Carla Alves (Ageas Portugal) e João Alves (ALD Automotive), num debate moderado por Carlos Jerónimo, da Qlik.

A Trivalor, holding com 27 empresas e cerca de 31 mil trabalhadores, com atividade no setor alimentar, servindo anualmente 90 milhões de refeições, percebeu a necessidade de recorrer ao BI, segundo Fernando Lourenço, gestor de planeamento, “para conhecer o cliente” e “gerir todo o manancial de informação” de que dispunha, dispersa por muitos canais. “Quando iniciámos este processo de transformação digital percebemos que necessitávamos de uma ferramenta de BI. A Qlik foi a nossa escolha e tudo mudou ao nível do controlo de toda a cadeia de valor da nossa operação no ramo alimentar, de início a fim”, disse o responsável da Trivalor à IT Insight. Hoje, “após um trabalho estreito com a equipa da Noesis”, realçou, a empresa dispõe de “informação de qualidade” e, igualmente importante, disponibilizada com o tempo necessário à tomada de decisões. “Esse é o principal ponto: ter informação para tomar a decisão correta, algo que dificilmente tínhamos no passado”. A empresa está a desenvolver com a Noesis um dashboard que permita obter previsões e estimativas, de modo a conhecer o negócio de forma transversal. “Não podemos deixar de olhar para o passado, mas temos de olhar para o presente e perceber qual vai ser o futuro. A previsão é fundamental para perceber como vai ser o negócio dentro dos próximos meses. É algo que pretendemos adotar”.

O grupo Ageas Portugal foi desafiado a reinventar a gestão da informação e criou, para tal, uma área dedicada, com o objetivo de deixar de ter a informação dispersa por silos. “Esta área, juntamente com o resto da empresa, procura ter ferramentas uniformizadas, a que todos têm acesso, para tomar decisões atempadamente. Colocámos a inteligência nas mãos dos nossos colaboradores”, adiantou Carla Alves, da Ageas Portugal. O grupo tem utilizado a Qlik View, que acabou por ser “o motor” da transformação digital da organização. “Estamos a evoluir para o Qlik Sense, porque temos utilizadores muito mais exigentes e que querem explorar cada vez mais as soluções. Temos sempre a preocupação de ter dados governados. Podemos descentralizar a exploração da informação, mas não podemos deixar que os dados fiquem desgovernados. Acabamos por ter data governance, ou seja, ter os dados alinhados com a área do negócio”.

À IT Insight, Carla Alves sublinhou a importância de “criar valor à medida que se vai conhecendo o cliente”. Nos próximos tempos a Ageas Portugal pretende evoluir em direção a um modelo mais preditivo. “Neste momento conhecemos bem o nosso cliente, para criarmos campanhas específicas para determinados segmentos, para o retermos. Com os modelos preditivos conseguiremos antecipar, reinventar, inovar, e ter vantagem competitiva”.

João Alves, IT director da ALD Automotive, realçou que a empresa escolheu a Noesis e a Qlik para “tomar decisões mais acertadas com base nos dados” e que conseguiu, em “tempo recorde”, integrar os dados numa única plataforma, com impacto a nível da “melhoria do serviço e da eficiência operacional”.


 
 

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