60 medidas para a digitalização da indústria portuguesa

Foram apresentadas esta manhã 60 medidas governamentais desenvolvidas no âmbito do projeto Portugal i4.0, para impulsionar a transformação digital na indústria e habilitar as empresas e colaboradores a navegar estas mudanças. Destas, destacamos as 10 mais relevantes

60 medidas para a digitalização da indústria portuguesa

Durante dez meses, Governo e parceiros discutiram em reuniões semanais as prioridades e os principais desafios em quatro áreas distintas: Agroindústria, Retalho, Turismo e Automóvel. A COTEC é a entidade que, a partir de hoje, fica responsável pela monitorização da estratégia e pela atualização das medidas, depois de um protocolo assinado pelo Governo e pela entidade privada.

A grande maioria das medidas que compõem a estratégia para a Indústria 4.0 têm como prioridade a capacitação dos recursos humanos, sendo tratada como prioritária a reconversão dos trabalhadores e a criação de novos empregos.

“O grosso destas medidas tem a ver com pessoas porque visa a requalificação da população ativa. Com o digital, o cliente fica com maior liberdade de escolha. É um enorme desafio porque o cliente quer estar em contacto com a fábrica, saber se a legislação é cumprida e em que condições trabalham os colaboradores,” explica João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria.

“Muitas das medidas não são de ponta—como se esperava—mas são realistas para os setores em que serão aplicadas, pensadas para responder a necessidades e a desafios. Em alguns casos estamos a falar de indústrias e setores que definem ainda os desafios 3.0", realça o responsável.

Financiamento

O Governo vai mobilizar Fundos Europeus Estruturais e de Investimento até 2,26 mil milhões de euros de incentivos, através do Portugal 2020, para “a consciencialização, adoção e massificação de tecnologias associadas ao conceito de Indústria 4.0, nos próximos quatro anos”, explica o ministério em comunicado. Dentro das medidas, será criado o Vale Indústria 4.0, um instrumento de apoio à transformação digital através da adoção de tecnologias que permitem mudanças disruptivas nos modelos de negócio de micro e PME (ex.: contratação de sites de comércio eletrónico ou softwares de gestão fabril a prestadores certificados). Cada vale inclui um financiamento de 7.500 euros. A ideia é que apoiem mais de 1.500 empresas, num investimento público de 12 milhões de euros.

Programa de Competências Digitais

Até 2020 o Governo quer dar formação em tecnologias de informação a mais de 20 mil pessoas. O programa de competências digitais vai funcionar em colaboração com o setor privado para fazer face à carência de técnicos especializados na área e permite apoiar a reconversão profissional, criando novas oportunidades de inserção profissional através da obtenção de novas competências.

Cursos Técnicos i4.0

O programa dedicado à Indústria 4.0 inclui a revisão dos currículos dos cursos profissionais técnicos, em linha com a procura de novas competências por parte das empresas no âmbito da digitalização da economia. Escolas e indústria serão aproximados.

Learning Factories

O programa prevê a criação de fábricas reais com equipamento tecnológico que recriem ambientes empresariais i4.0. A ideia é capacitar pessoas e promover iniciativas em curso como a Fabtec, Laboratório de Processos e Tecnologias para Sistemas Avançados de Produção, que consiste numa learning factory para demonstração de soluções inovadoras ao tecido empresarial, a Introsys Training Academy, que integra um chão de fábrica simulado (SGF), e a Academy 360 Room com painéis interativos que controlam equipamentos no chão de fábrica.

Missões Internacionais

Quando a indústria se abre, abre-se também ao exterior. O Governo quer promover missões com comitivas nacionais, lideradas por representante do Executivo, com vista à partilha de produtos e serviços de âmbito i4.0 desenvolvidos em Portugal. Estas comitivas deverão marcar presença em eventos/feiras (ex.: Hannover Messe),cidades/regiões e pólos industriais (ex.: missões a Lombardia e País Basco) que possam constituir oportunidades para as empresas portuguesas.

ADIRA Industry 4.0

Vai ser criado o primeiro laboratório integrado de fabrico aditivo para desenvolver um novo ecossistema associado a esta tecnologia de nova geração que irá permitir novas formas de projeto e fabrico. Este laboratório é dinamizado pela ADIRA em parceria com o CEiiA a partir da máquina em desenvolvimento pela ADIRA, cujo protótipo foi desenvolvido em colaboração com a Fraunhofer, e está aberto às universidades e às empresas de todas as industrias.

FOOTURE 2020

A medida da APPICAPS consiste num Plano Estratégico para o cluster do Calçado português que visa implementar um roteiro do Cluster do Calçado para a Economia Digital. “Pretende-se, até ao final de 2020, conseguir um salto qualitativo no processo de afirmação internacional do calçado português, estabelecendo-o como uma referência da indústria a nível mundial”.

Bosch Digital

Outra medida a destacar é o DONE Lab da Bosch, um laboratório para a manufatura aditiva avançada de protótipos e ferramentas, inaugurado na Escola de Engenharia da Universidade do Minho. A ideia é uma parceria entre a Universidade do Minho e a Bosch Car Multimedia, no âmbito do maior projeto universidade-empresado país, num investimento global de 54,7 milhões de euros até 2018. Destaque também para um protocolo entre a Bosch e a Universidade de Aveiro para o desenvolvimento de soluções para casas inteligentes e a digitalização de equipamentos da Bosch, num investimento de 19 milhões de euros, estando prevista a criação de cerca de 150 postos de trabalho.

4AC Industria 4.0 – Aceleradora, Incubadora, Prototipagem

Multinacionais como a Mitsubishi, a Siemens e a Volkswagen Autoeuropa integram, em Matosinhos, a nova aceleradora, incubadora e espaço de produtização e prototipagem, para a Indústria 4.0, com as startups portuguesas Bee Very Creative, Follow Inspiration, Mobi.Me e Prodsmart. O objetivo de juntar na mesma “casa” grandes e pequenas empresas? Transformar, mais rápida e sistematicamente, ideias em produtos, não só na sua fase de desenvolvimento como na de scale-up.

Consórcio PSA Mangualde

Esta iniciativa, com um investimento estimado de 12 milhões de euros, será desenvolvida pela PSA de Mangualde em consórcio com três universidades e cinco parceiros tecnológicos, assente nos seguintes eixos: Sistemas robóticos inteligentes (robôs colaborativos), Sistemas avançados de inspeção e rastreabilidade (Visão artificial), Sistemas autónomos de movimentação (AGV), Fábrica digital (IoT) e Fábrica do futuro – FoF (Baixa cadência e Alta diversidade).

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